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TV Guia column · Rita Andrade, Nutritionist

Reset intestinal

Dezembro é um mês de excessos alimentares fora do padrão alimentar habitual. Há mais refeições fora de casa, mais doces disponíveis, geralmente há um aumento no consumo de álcool, petiscos e menos rotina. Durante este período, não muda apenas o que comemos. Mudam os horários, o sono, o nível de stress, a forma como nos organizamos e até a relação com a comida. Come-se mais vezes por impulso, por celebração ou simplesmente porque “está ali”. O corpo, por muito resistente que seja, regista tudo isto… e ninguém fica satisfeito quando a barriguinha começa a aumentar. Quando as festas terminam, muitas pessoas acordam com a sensação de que algo mudou. A barriga está inchada logo de manhã, a roupa aperta, o corpo parece pesado, a energia está mais baixa e o humor menos estável. Surge a ideia de que é preciso “compensar”, “limpar o corpo” ou “fazer um detox”. O chamado reset pós-festas não é uma dieta extrema nem uma tentativa de apagar o Natal. É um período de transição em que ajudamos o organismo a recuperar do impacto fisiológico dos excessos, devolvendo-lhe condições para voltar a funcionar bem.

O que o corpo sente depois dos excessos (e porque acontece):

Barriga inchada: o sintoma mais comum — e o mais mal interpretado

Importa esclarecer que na maioria dos casos este inchaço não é gordura.

O inchaço abdominal pós-festas acontece porque, durante vários dias ou semanas:

houve maior consumo de açúcar e gordura;

houve excesso de sal, que promove retenção de líquidos;

houve menor ingestão de fibra;

a microbiota intestinal foi alterada;

houve menor ingestão de água;

os horários das refeições foram irregulares.

Com estas alterações, a digestão torna-se mais lenta, aumenta a fermentação intestinal e o intestino fica mais sensível e reactivo. O resultado é distensão abdominal e o aumento dos gases. Em muitos casos, bastam 3 a 5 dias de alimentação mais “limpa”, hidratação adequada e horários regulares para o inchaço diminuir de forma visível, sem necessidade de dietas radicais.

Falta de energia e fadiga mental

Outro sintoma muito comum depois do Natal é o cansaço persistente. Acorda cansado, sente-se sem energia ao longo do dia e tem dificuldade em concentrar-se, mesmo quando dormiu “o suficiente”. Este cansaço tem uma explicação fisiológica: o consumo elevado de açúcar e álcool provoca oscilações rápidas da glicemia. Sempre que o açúcar no sangue sobe rapidamente e depois desce, o cérebro sofre porque depende de glicose para funcionar e é extremamente sensível a estas variações.

O resultado pode ser:

fadiga constante;

sonolência após as refeições;

dificuldade de concentração;

irritabilidade;

vontade frequente de petiscar, sobretudo alimentos doces.

O corpo entra num ciclo de pedir energia rápida, normalmente sob a forma de mais açúcar, perpetuando o problema.

Pele sem brilho e aspecto cansado

A pele é um reflexo muito fiel do estado de saúde do organismo. Depois das festas, é comum notar:

pele mais baça;

perda de luminosidade;

olheiras mais marcadas;

agravamento de acne ou sensibilidade cutânea.

Há um aumento da inflamação sistémica, mais stress oxidativo e, frequentemente, uma ingestão insuficiente de água, vitaminas e minerais essenciais. O excesso de açúcar e álcool também interfere com a renovação celular e com a hidratação da pele.

Antes de investir em cremes “milagrosos”, vale mais investir em:

água;

legumes;

fruta;

boas gorduras;

sono.

A pele reage muito mais à nutrição e ao descanso do que a qualquer produto isolado.

Digestão lenta, enjoos e sensação de enfartamento

O fígado é um dos órgãos mais sobrecarregados. É ele que metaboliza o álcool, o excesso de gordura e muitos compostos alimentares. Quando esta carga se mantém elevada durante vários dias, o fígado abranda a sua função.

É por isso que, depois das festas, muitas pessoas sentem:

digestão pesada;

enfartamento mesmo com pequenas quantidades de comida;

náuseas ligeiras;

sensação de estômago sempre cheio.

Nesta fase, é comum surgir a ideia de jejuar ou saltar refeições para “dar descanso”. No entanto, para muitas pessoas, isso acaba por piorar o problema. O corpo interpreta a ausência de comida como mais um sinal de stress. O que ajuda verdadeiramente é regularidade: refeições simples, em quantidades adequadas e em horários previsíveis.

“Depois do Natal só me apetece açúcar”

Esta frase surge em quase todas as consultas pós-festas.

O consumo frequente de açúcar altera temporariamente as hormonas do apetite:

a grelina, hormona do apetite, tende a aumentar;

a leptina, hormona da saciedade, deixa de sinalizar correctamente ao cérebro.

O resultado é uma fome mais intensa e uma preferência marcada por alimentos doces e ricos em hidratos de carbono simples. Quanto mais açúcar se consome, mais o corpo pede por adaptação hormonal e neurológica. A boa notícia é que este efeito é reversível quando a alimentação volta a ser equilibrada.

O impacto dos excessos na saúde (para além do peso)

Um erro muito comum é achar que os excessos só “contam” se a balança subir muito. Na prática clínica, vejo muitas pessoas cujo peso até mudou pouco, mas cujo corpo está claramente desregulado e com gordura corporal aumentada e taxa metabólica diminuída.

Os excessos prolongados podem levar a:

inflamação de baixo grau;

maior resistência à insulina;

pior funcionamento intestinal;

maior retenção de líquidos;

alterações do sono;

aumento do stress metabólico.

Porque um reset faz sentido

Um reset bem feito não é sinónimo de restrição extrema. É um período em que:

se simplifica a alimentação;

se reduz a carga inflamatória;

se devolve regularidade às refeições;

se hidrata melhor o organismo;

se respeita mais o descanso.

Quando estas condições estão reunidas, o corpo responde. Muitas vezes, os primeiros sinais de melhoria não são na balança, mas sim:

menos inchaço;

digestão mais leve;

mais energia ao acordar;

menos vontade por doces;

melhor disposição geral.

Estes são sinais claros de que o organismo está a recuperar.

Porque o corpo reage mais depois dos 40 (mas não é “da idade”)

Muitas pessoas dizem-me: “Isto antes não me acontecia. Agora basta sair da rotina e fico logo inchada.” É verdade que, com o passar dos anos, o corpo perde alguma flexibilidade metabólica. Mas isso não significa que o inchaço, o cansaço ou a digestão difícil sejam normais ou inevitáveis.

O que acontece é que:

o sono tende a ser mais leve,

o stress diário é maior,

há mais flutuações hormonais (sobretudo nas mulheres),

o intestino torna-se mais sensível a excessos repetidos.

Tudo isto faz com que o impacto de um mês como Dezembro seja mais evidente no corpo. Não porque o corpo esteja “pior”, mas porque está mais reactivo. E isso torna ainda mais importante o período de recuperação a seguir. Um reset pós-festas bem feito não serve apenas para “voltar ao normal”. Serve para proteger o metabolismo a longo prazo.

O papel do stress e do sono nos sintomas pós-festas

Quando falamos de excessos alimentares, falamos quase sempre de comida. Mas esquecemo-nos de dois factores essenciais: stress e sono.

Durante o período festivo:

dorme-se menos horas,

deita-se mais tarde,

há mais estímulos sociais,

há mais exigência emocional.

O corpo interpreta isto como stress. E quando o stress aumenta, sobe também o cortisol — a hormona que, entre muitas funções, promove retenção de líquidos e dificulta a digestão. O cortisol elevado pode contribuir para inchaço abdominal mesmo sem aumento de ingestão alimentar.

Porque saltar refeições costuma piorar o quadro

Um erro muito comum depois das festas é tentar “compensar” saltando refeições, sobretudo o jantar. A ideia parece lógica, mas na prática raramente resulta.

Quando se saltam refeições:

a glicemia torna-se mais instável,

o cortisol sobe,

a digestão abranda ainda mais.

Em vez de aliviar o organismo, acaba-se por aumentar o stress metabólico. O resultado costuma ser mais fome ao fim do dia, mais vontade por doces e mais frustração. Nesta fase, regularidade é mais importante do que restrição.

Dietas restritivas / líquidas não funcionam

o corpo entra em defesa,

a energia diminui,

o intestino ressente-se,

o risco de exagerar dias depois aumenta.

O verdadeiro objectivo do reset é devolver ao corpo:

previsibilidade,

nutrientes,

hidratação,

descanso digestivo.

O emagrecimento é uma consequência — não a meta principal.

Alimentos que ajudam, alimentos a evitar e lista de compras de supermercado

Depois de compreender o que acontece no corpo após um período de excessos, o passo seguinte é saber o que colocar no prato e, igualmente importante, o que deixar de colocar por alguns dias. Nesta fase, a alimentação deve funcionar como uma ferramenta de regulação:

menos estímulos inflamatórios, mais nutrientes, mais previsibilidade. Não se trata de comer menos, mas de comer de forma mais inteligente, ajudando o intestino, o fígado e o metabolismo a recuperarem.

Alimentos que ajudam no reset pós-festas (e porquê)

Legumes, sobretudo cozinhados

Os legumes são a base de qualquer reset bem feito. Fornecem fibra, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes, essenciais para reduzir inflamação e melhorar o trânsito intestinal.

Por que ajudam:

A fibra alimenta a microbiota intestinal.

Ajudam a regular o intestino sem agressão.

Fornecem micronutrientes necessários ao fígado.

Preferir nesta fase:

Brócolos

Espinafres

Couves

Courgette

Abóbora

Cenoura

Nesta fase, os legumes cozinhados ou em sopa costumam ser melhor tolerados do que crus, especialmente se houver inchaço.

Sopa de legumes

A sopa é um verdadeiro “alimento terapêutico” no pós-festas. Junta hidratação, fibra, minerais e conforto digestivo.

Por que ajuda:

Facilita a digestão.

Aumenta saciedade.

Reduz ingestão de alimentos mais pesados ao jantar.

Uma sopa simples ao jantar, quase todos os dias, faz mais pelo reset do que qualquer produto detox.

Fruta fresca

Por que ajuda:

Fornece antioxidantes.

Ajuda o fígado nos processos de eliminação.

Contribui para o trânsito intestinal.

Preferir:

Maçã

Pera

Kiwi

Frutos vermelhos

Evitar, numa fase inicial, grandes quantidades de fruta muito madura ou tropical, que pode fermentar mais.

Proteína em todas as refeições

A proteína é essencial nesta fase e muitas vezes é negligenciada.

Por que ajuda:

Estabiliza a glicemia.

Reduz vontade por doces.

Apoia a recuperação metabólica.

Mantém massa muscular.

Boas opções:

Peixe

Ovos

Leguminosas

Iogurte natural

Gorduras boas

As gorduras certas ajudam a reduzir inflamação e aumentam saciedade.

Por que ajudam:

Ajudam o controlo hormonal.

Diminuem picos de glicemia.

Ajudam a absorver vitaminas.

Preferir:

Azeite virgem extra

Abacate

Nozes

Amêndoas

Água

Pode parecer óbvio, mas é um dos pilares mais negligenciados.

Por que ajuda:

Apoia rins e fígado.

Reduz retenção hídrica.

Melhora digestão e energia.

A maioria das pessoas bebe menos água em Dezembro. O corpo ressente-se disso. 2 Lt/ dia é geralmente uma boa quantidade (ou até ver a sua urina transparente). Distribuir a ingestão ao longo do dia é mais eficaz do que beber grandes quantidades de uma só vez. Começar o dia com água ajuda a activar o sistema digestivo e os rins. Para quem tem dificuldade em beber água pode aromatizar com limão, hortelã ou gengibre.

Alimentos a evitar temporariamente (e porquê)

Não são alimentos “proibidos para sempre”. Simplesmente não ajudam nesta fase de recuperação.

Açúcar refinado

Presente em doces, sobremesas, bolos e muitos produtos processados.

Por que evitar:

Aumenta inflamação.

Provoca picos de glicemia.

Alimenta fermentação intestinal.

Bolos e sobremesas

Misturam açúcar e gordura numa combinação pesada para o fígado.

Por que evitar:

Dificultam digestão.

Aumentam retenção.

Estimulam mais vontade por doce.

Fritos

Sobrecarregam digestão e fígado.

Por que evitar:

Aumentam inflamação.

Abrandam esvaziamento gástrico.

Podem agravar náuseas e enfartamento.

Enchidos e carnes processadas

Ricos em sal, gordura saturada e aditivos.

Por que evitar:

Promovem retenção hídrica.

Aumentam inflamação.

São pobres em nutrientes.

Álcool

Mesmo em pequenas quantidades, interfere com o reset.

Por que evitar (ou reduzir muito):

Irrita o intestino.

Sobrecarrega o fígado.

Aumenta retenção e inflamação.

Alimentos ultraprocessados

Cereais açucarados, refeições prontas, snacks industriais.

Por que evitar:

Pobres em nutrientes.

Ricos em aditivos inflamatórios.

Confundem sinais de fome e saciedade.

Lista de compras de supermercado

Uma boa lista evita improvisos e facilita escolhas.

Legumes e fruta

Brócolos

Espinafres

Couve-flor

Courgette

Abóbora

Cenoura

Cebola

Alho-francês

Tomate

Pepino

Maçã

Pera

Kiwi

Limão

Proteína

Peixe (pescada, sardinha, bacalhau, robalo)

Ovos

Grão-de-bico

Feijão

Iogurte natural

Queijo magro

Gorduras saudáveis

Azeite virgem extra

Abacate

Nozes

Amêndoas

Manteiga 100% frutos secos (ex: amendoim)

Cereais e acompanhamentos

Aveia

Arroz

Quinoa

Batata doce

Despensa

Curcuma

Canela

Pimenta preta

Gengibre em pó ou fresco

Vinagre de maçã

Bebidas e chás

Chá verde

Chá de gengibre

Chá de hortelã

Chá de camomila

Chá de dente-de-leão

Como organizar o prato nesta fase

Uma regra simples ajuda muito:

Metade do prato: legumes

Um quarto: proteína

Um quarto: hidratos de carbono

Gordura boa em pequena quantidade

Esta estrutura reduz inflamação, estabiliza glicemia e melhora saciedade.

O erro mais comum nesta fase

Muitas pessoas começam bem, mas complicam demasiado. Receitas complexas, regras difíceis, horários rígidos.

O corpo recupera melhor com:

pratos simples,

repetição,

previsibilidade.

Nesta fase, menos variedade e mais consistência funciona melhor. Escolher bem os alimentos depois das festas é uma forma de respeito pelo corpo. Não se trata de perfeição, mas de intenção. Quando reduzimos o que inflama e aumentamos o que nutre, o organismo começa a reorganizar-se. O inchaço diminui, a digestão melhora e a energia regressa gradualmente.

Os 7 mitos mais comuns sobre inchaço abdominal

Mito 1: “Estou inchada porque engordei”

Na maioria dos casos, o inchaço pós-festas não é gordura. É uma combinação de retenção de líquidos, gases e inflamação intestinal. A gordura corporal não aparece nem desaparece em poucos dias. O que muda rapidamente é o conteúdo intestinal e a quantidade de água retida nos tecidos.

Mito 2: “Tenho de comer muito pouco para desinchar”

Comer pouco demais aumenta o stress metabólico, faz subir o cortisol e abranda ainda mais a digestão. O corpo entra em modo de defesa. Para desinchar, é preferível comer de forma regular, com alimentos simples e nutritivos, do que reduzir drasticamente as quantidades.

Mito 3: “Beber água piora a retenção”

Este é um dos mitos mais enraizados. A verdade é exactamente o contrário. A desidratação leva o corpo a reter líquidos como mecanismo de defesa. Beber água suficiente ajuda os rins a eliminar excesso de sódio e reduz a retenção.

Mito 4: “O inchaço é psicológico”

O stress influencia o intestino, mas o inchaço é um fenómeno fisiológico real. Pode ser medido e observado. Desvalorizar o sintoma como algo “da cabeça” apenas atrasa a resolução.

Mito 5: “Tenho de cortar glúten e lactose”

Só faz sentido eliminar glúten ou lactose se existir intolerância ou patologia diagnosticada. Cortes aleatórios podem empobrecer a alimentação e prejudicar a microbiota intestinal. Nem toda a barriga inchada é intolerância alimentar.

Mito 6: “Só passa com laxantes ou chás milagrosos”

Laxantes podem aliviar o trânsito, mas não resolvem inflamação nem desregulação intestinal. O uso frequente pode até agravar o problema. O intestino precisa de fibra, água e tempo, não de agressão.

Mito 7: “É normal sentir-me sempre inchada”

Não é normal sentir desconforto abdominal constante. É comum, mas não deve ser normalizado. O corpo está a dar um sinal de que algo precisa de ser ajustado. Curiosidades científicas explicadas de forma simples Sabia que o intestino reage mais ao stress do que à comida em algumas pessoas? O sistema digestivo está intimamente ligado ao sistema nervoso. Situações de stress, ansiedade ou falta de sono podem provocar inchaço mesmo com uma alimentação equilibrada. Sabia que o intestino precisa de rotina? Horários irregulares confundem o sistema digestivo. Comer mais ou menos à mesma hora ajuda o intestino a funcionar melhor.

Chás ideais no reset pós-festas

Chá verde

Rico em antioxidantes, ajuda a reduzir inflamação e a apoiar o metabolismo. Ideal de manhã ou início da tarde.

Chá de gengibre

Excelente para digestão lenta, náuseas e sensação de enfartamento. Pode ser usado após as refeições.

Chá de hortelã

Ajuda a reduzir gases e desconforto abdominal. Muito útil ao fim do dia.

Chá de dente-de-leão

Tem um efeito suave de apoio hepático e pode ajudar na retenção hídrica. Não deve ser usado de forma contínua e prolongada.

Chá de camomila

Ajuda a relaxar o sistema nervoso e, indirectamente, melhora a digestão. Ideal ao final do dia. Os chás ajudam, mas não substituem água nem uma alimentação adequada.

E o vinho?

Esta é uma pergunta frequente e merece uma resposta honesta. Durante um reset mais rigoroso, o ideal é reduzir ao máximo o álcool. O álcool irrita o intestino, sobrecarrega o fígado e atrasa a recuperação.

Se optar por beber:

prefira vinho tinto;

beba à refeição;

não beba todos os dias.

O vinho tinto contém polifenóis antioxidantes, mas isso não transforma o álcool num alimento funcional. A moderação é essencial.

Dicas práticas que fazem mesmo a diferença

Simplifique as refeições

Nesta fase, pratos simples funcionam melhor do que receitas elaboradas. Menos ingredientes significa menos trabalho digestivo.

Receita (Exemplo):

Quiche da Nutri:

Misture 1 lata grande de atum (250g) com 9 ovos, 1/2 cenoura ralada, 1/2 talo de alho francês picado, coentros qb, 1 col sopa de azeite com um garfo e coloque numa carteira forrada com papel vegetal. Leve ao forno a 180 graus 20 minutos.

Empadão da Nutri:

Puré:

Coza 1,5 Kg de couve flor e escorra a água do tacho, triture tudo com varinha mágica, adicione 1 col chá de sal, adicione 1/2 copo com água, triture novamente.

Carne:

Triture 6 tomates de rama com 6 dentes de alho, 6 col sopa de azeite, 1/2 cebola e 1 col chá de sal. Coloque esse molho num tacho e quando começar a ferver junte 750g de carne de novilho picada. Quando estiver cozinhada, coloque o puré a tapar a base do recipiente (“pirex”) de forno, coloque a carne (tipo bolonhesa) em cima e depois cubra com o restante puré. De seguida, com um garfo bata 2 gemas de ovo e cubra a superfície para depois fazer a cobertura total com as gemas (com a ajuda do garfo). Leve ao forno 200 graus por 10 minutos.

Repita refeições

Não é falta de criatividade. É estratégia. Repetir refeições reduz stress mental e facilita consistência.

Evite petiscar constantemente

Comer pequenas quantidades ao longo do dia sem fome real mantém o sistema digestivo sempre activo e pode agravar o inchaço.

Caminhe diariamente

Caminhadas de 20 a 40 minutos ajudam a digestão, reduzem stress e melhoram o trânsito intestinal.

Durma um pouco mais

Mesmo mais 30 minutos por noite podem fazer diferença na energia, apetite e inchaço. Mais do que seguir regras, observe como o corpo reage. Menos inchaço, melhor digestão e mais energia são sinais de que está no caminho certo. O reset pós-festas não se faz apenas com o que se come, mas também com o que se acredita e com a forma como se cuida do corpo no dia-a-dia. Ao desfazer mitos, ajustar hábitos simples e respeitar o ritmo do organismo, a recuperação torna-se mais natural e sustentável.

Um bom plano pós-festas deve:

estabilizar a glicemia;

reduzir inflamação;

facilitar a digestão;

evitar picos de fome;

devolver energia ao longo do dia.

Para isso, há três princípios-base:

1. Não saltar refeições. 2. Incluir proteína em todas as refeições principais. 3. Garantir legumes diariamente. Com isto em mente, o plano deixa de ser uma dieta e passa a ser uma estrutura de apoio ao corpo.

Pequeno-almoço: várias opções para escolher

O pequeno-almoço não precisa de ser pesado, mas precisa de ser equilibrado. Começar o dia apenas com café costuma agravar o cansaço e a vontade por doces mais tarde.

Opção 1: Iogurte natural com fruta e sementes

Iogurte natural

Maçã, pera ou frutos vermelhos

Sementes de chia ou linhaça

Pode juntar manteiga 100% amendoim ao iogurte natural e mirtilos.

Por que funciona:

proteína + fibra;

ajuda o intestino;

dá saciedade sem pesar.

Opção 2: Papas de aveia simples

Aveia

Água ou bebida vegetal sem açúcar

Maçã e canela

Por que funciona:

estabiliza glicemia;

conforta o sistema digestivo;

ideal em dias frios.

Opção 3: Ovos mexidos com legumes

Ovos

Espinafres ou cogumelos

Um fio de azeite

Por que funciona:

proteína completa;

mantém saciedade durante mais tempo;

reduz vontade por snacks doces.

Snacks: quando comer e o que escolher Os snacks não são obrigatórios, mas podem ser úteis para evitar chegar às refeições com demasiada fome.

Boas opções:

fruta fresca;

iogurte natural;

ovo cozido;

frutos secos (pequena quantidade);

palitos de cenoura ou pepino com hummus ou tomate cherry (so 3 Kcal/ cada!!!)

queijo fresco, se tolerar.

Ideia de receita (que adoro!):

Corte uma maçã em pedaços, junte o queijo fresco também em pedaços, canela e nozes. Jantar: leve, mas nutritivo O jantar é muitas vezes a refeição que mais influencia o inchaço nocturno.

Boas opções:

Sopa de legumes + ovos ou peixe

Sopa + leguminosas

Legumes salteados + omelete simples

Evite jantares muito tardios e refeições pesadas à noite. A digestão agradece.

Mais uma dica simples:

Muitas vezes cozinho 2 ovos, 1 lata de atum, 1/4 de talo de alho francês picado com azeite e misturo tudo numa frigideira. Fica ótimo, é rápido de cozinhar e sacia (especialmente se acompanhar com duas tortitas de arroz ou milho e juntar um punhado de rúcula ao prato).

Marmitas: o segredo para manter o reset

Ter comida preparada evita decisões impulsivas e escolhas menos acertadas.

Ideias de marmitas práticas

Legumes assados + peixe

Arroz integral + legumes + frango

Grão ou lentilhas com legumes e azeite

Sopa em dose individual

Cozinhar para dois ou três dias facilita muito a consistência.

Receitas funcionais para o reset

Bacalhau à Brás sem batata

Substitua a batata por alho-francês cortado em palitos finos.

Ingredientes:

Bacalhau desfiado

Alho-francês

Cebola

Ovos

Azeite

Fica mais leve, digestivo e igualmente reconfortante.

Tortitas de milho com guacamole

Guacamole:

Abacate

Limão

Azeite

Cebola roxa

Tomate

Boa alternativa ao pão ou snacks processados.

Como saber se o plano está a resultar

Os primeiros sinais raramente são na balança.

Observe:

menos inchaço ao fim do dia;

digestão mais leve;

menos vontade por doces;

mais energia;

melhor sono.

Estes são sinais de que o corpo está a recuperar.

Quando ajustar ou procurar ajuda

Se, apesar de fazer estas mudanças:

o inchaço persistir várias semanas,

houver dor abdominal,

alterações importantes do trânsito intestinal,

cansaço extremo,

procure acompanhamento profissional. Nem tudo se resolve apenas com ajustes gerais. O reset pós-festas não é uma dieta da moda. É ganho de saude. Quando reduz excessos, simplifica escolhas, hidrata-se melhor e respeita o ritmo do corpo, o organismo faz aquilo para que foi desenhado: auto-regular-se. Não precisa de extremismos. Precisa de coerência. Espero que tenha um 2026 muito feliz e acima de tudo que nunca lhe falte SAÚDE! Beijinhos da vossa nutri. Rita Andrade Ordem dos Nutricionistas

CP 2944N

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